As lebres europeias estão causando prejuízos aos produtores de várias regiões do Brasil

Nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, os produtores estão tendo as suas plantações atacadas por animais da espécie lebre europeia. Os danos causados nos cultivos de couve-flor e brócolis podem chegar a 100% do que foi plantado. Os produtores de citrus também estão tendo muitos prejuízos causados por esses animais, girando em torno de 20%.

O animal come o caule das plantações de limão, tangerina e laranja, fazendo com que as árvores dessas frutas acabem morrendo depois de alguns dias, sem a seiva necessária para a sua sobrevivência. Outros agricultores também estão sofrendo com esses animais em plantações de maracujá, melancia, soja, feijão, melão, hortaliças, batata-doce, mandioca, pupunha, abóbora, café, seringueira, quiabo e mandioquinha.

A ecóloga, Clarissa Alves da Rosa, da Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, explicou que os estados que estão apresentando os maiores prejuízos com esses ataques, são o Paraná, o Rio Grande do Sul e  São Paulo.  Ela ainda comentou que as lebres europeias são comuns no território paranaense, sendo avistadas com frequência na região do Aeroporto Internacional Afonso Pena, inclusive passando pela pista do aeroporto.

Mas de acordo com um estudo feito por Clarissa e outros dez pesquisadores, essa espécie vem se espalhando pelo território nacional, se expandindo em uma velocidade alta de cerca de mais de 45 quilômetros por ano. A espécie já foi encontrada no Mato Grosso do Sul, em Goiás e em Minas Gerais.

A lebre europeia ou lebrão, como também é conhecida, foi trazida da Europa para o Chile e para a Argentina, para a caça esportiva. Mas o lebrão acabou se reproduzindo e chegando aos países vizinhos, sendo que no Brasil os primeiros registros foram na década de 50, quando eles entraram no país pelo Rio Grande do Sul, vindos do Uruguai.

Atualmente essa espécie aparece em mais de 135 cidades no Brasil, segundo o estudo da pesquisadora mineira e dos seus colegas. Nos dois últimos anos, os produtores rurais estão cada vez mais sentindo a presença desses animais.

Mas esses animais recebem o seu nome de lebrão pelo seu porte robusto, e quando estão sentados com as patas encolhidas e sem contar as orelhas pontudas, eles chegam a 25 centímetros de altura, pesando no máximo cinco quilos. Em seu salto ele pode chegar a 70 centímetros de distância, o que o torna parecido com um gato.