Algumas espécies de anfíbios que não pertencem ao bioma brasileiro foram identificadas em nosso território

consideradas um desafio por aquelas pessoas que defendem a preservação da natureza. Alguns animais como os javalis vindos da Europa e levados para fazendas uruguaias, escaparam e vieram para o Brasil na década de 90, espalhando-se pelas regiões Sul e Sudeste.

Entre essas espécies que são consideradas invasoras, existem algumas de anfíbios. Alguns pesquisadores de universidades de São Paulo, divulgaram um estudo sobre as espécies de anfíbios invasores em nosso país. Foram encontradas seis espécies, entre elas rãs, pererecas e sapos, distribuídos pela maior parte do Brasil.

Algumas dessas espécies foram encontradas recentemente em nosso país, como por exemplo a perereca-assobiadora, que foi trazida sem querer para a capital paulista há menos de dez anos. Outro exemplo é o sapo-cururu, que foi encontrado pela primeira vez há mais de 130 anos, no arquipélago de Fernando de Noronha.

A ideia de um estudo sobre os anfíbios invasores começou quando no verão de 2013, Lucas Forti, do Instituto de Biologia da Unicamp e um dos autores do estudo, viu em um condomínio da cidade do Guarujá, em São Paulo, uma invasão de anfíbios da espécie pererecas-das-bromélias, que são originárias de regiões de Mata Atlântica que vão desde o norte do Rio de Janeiro até o estado da Paraíba.

Lucas Forti acredita que essa espécie deve ter sido levada para o Guarujá por acaso, juntamente com plantas ornamentais, já que essa espécie como o próprio nome diz, gosta de viver entre as águas que ficam acumuladas no meio das folhas das bromélias.

De acordo com o pesquisador, essas invasões podem ameaçar a sobrevivência de outras pererecas da região, que vivem em locais parecidos na cidade de Santos, como por exemplo o gênero Ischnocnema.

Isso acontece porque o ruído que faz uma espécie invasora, pode atrapalhar a interlocução das espécies nativas, principalmente em relação a reprodução delas.

Forti explicou que a comunicação acústica fica comprometida, podendo dificultar a capacidade das fêmeas de encontrarem os machos dentro do meio reprodutivo.

Célio Haddad, também um dos autores do estudo e professor do Instituto de Biociências da Unesp em Rio Claro, foi chamado pelos moradores do bairro do Brooklin, na zona sul de São Paulo, para descobrir sobre ruídos muito altos de noite. O professor descobriu que era outra bioinvasão, já que era o canto de diversas  pererecas-assobiadoras.