Sistema de saúde de Roraima não suporta a demanda de imigrantes da Venezuela

Uma organização internacional de direitos humanos, Human Rights Watch (HRW), divulgou no dia 18/04, um relatório de 14 páginas que noticiou uma situação de calamidade no estado de Roraima. Por fazer fronteira com a Venezuela, o estado brasileiro vem recebendo um grande numero de imigrantes desse país, que tentam fugir de uma crise humanitária.

O relatório aponta que a situação da saúde de Roraima já estava sobrecarregada antes da chegada dos Venezuelanos. Atualmente Roraima esta urgentemente necessitando de ajuda federal.

Apenas no ano passado, mais de 7 mil pessoas cruzaram a fronteira de Roraima. A organização internacional estima que o Brasil abrigue 12 mil Venezuelanos, desde 2014. Os refugiados alegam que vieram ao Brasil por causa da escassez de alimentos em seu país, a falta de remédios e o medo do progressivo aumento da criminalidade.

Estado de emergência

Os Venezuelanos dão entrada nos hospitais afligidos por doenças como pneumonia, malária e tuberculose. Essas pessoas afirmam que o seu país carece de tratamento para essas enfermidades.

No final de 2016, a Governadora de Roraima decretou estado de emergência na Saúde. Divulgando assim a necessidade de ajuda do governo federal, porém mesmo após o primeiro trimestre de 2017, essa ajuda ainda não foi atendida.

O governo Brasileiro noticiou que recebeu quase 2600 pedidos de refugio em 2016. Esse número se torna ainda mais impressionante, se comparado com 2013, onde existiam apenas 54 pedidos. A morosidade desse processo causa uma série de problemas.

A falta de acesso a direitos acarreta situações sociais terríveis. Um imigrante sem a regularização não tem acesso à carteira de trabalho, e pode acabar ficando vulnerável a abusos e péssimas condições de trabalho. Uma pessoa nessa situação fica com receio de ir às autoridades, por causa do risco de ser deportado.

A Policia Federal informa que recebe 200 pedidos de agendamentos diariamente, de Venezuelanos que querem se continuar no Brasil. Isso gerou uma fila absurda, onde tem pessoas que tem a previsão de ter o seu processo avaliado em 2018.

O relatório ainda aponta que esse cenário tende a piorar. Pois com o volume do processo migratório para Roraima é tão grande, que os próprios imigrantes estão incomodados com o crescimento populacional e estão começando a escolher outros destinos, como Manaus.

Venezuela não quer receber ajuda internacional

Nicolas Maduro, presidente da Venezuela desde 2013, afirmou que caso abra essa discussão, dará margem para interferência internacional na soberania do país. A pressão ao presidente aumentou depois que o Tribunal Supremo absorveu os poderes do legislativo, retirando a imunidade parlamentar dos membros da Assembleia Nacional (NA). A decisão foi revogada, porem de acordo com a HRW, alguns poderes ainda estão limitados.

A diretora da organização, Maria Laura Canineu, afirmou que a única maneira de resolver o problema é fazer pressão internacional para forçar o presidente da Venezuela admitir o problema.