Pesquisadores dos EUA criam mosquito resistente ao vírus da dengue

A fim de conter os altos níveis de transmissão de doenças a partir do mosquito Aedes aegypti, uma nova técnica foi divulgada pela Escola de Saúde Pública de Johns Hopkins. Os cientistas e pesquisadores responsáveis pela descoberta desenvolveram mosquitos geneticamente modificados. Estes (os mosquitos), utilizam o seu próprio organismo para combater o vírus da dengue, através do sistema imunológico. O resultado obtido é decorrente de uma alteração feita no que pode ser considerado o fígado do mosquito. O procedimento fez com que o inseto apresentasse um aumento radical na produção de ativos anticorpos em sua estrutura, e isso gerou um bloqueio da infecção causada pelo vírus.

Apesar da boa notícia, os testes que também foram realizados para outros vírus como a zika e a chikungunya, não apresentaram resultados favoráveis. Porém, os pesquisadores que ainda estão desenvolvendo e aprimorando a técnica, acreditam que é apenas questão de tempo para que a mesma também possa trazer resistência à outras formas virais.

Uma vez que o Aedes retira o sangue de um indivíduo portador do vírus da dengue ele é infectado, e além de transportar o vírus, pode mais tarde transferi-lo para outra pessoa. Vale ressaltar que o mesmo acontece com a zika e a chikungunya, uma vez que ambas também se proliferam através do mesmo mosquito.

Publicado na Plos One (Public Library of Science, uma revista cientifica de acesso livre bastante popular do meio, e que possui diversos outros artigos relacionados ao tema), o novo estudo mostra que o mosquito produz anticorpos contra outros vírus, inclusive o vírus da dengue naturalmente, mas em níveis tão baixos que não são capazes de combater e extirpar o vírus. Tendo isso como base, a nova técnica de maneira nunca antes vista estimula essa capacidade natural presente no inseto, a partir da interferência feita em certos genes responsáveis pelo funcionamento do que viria a ser o “fígado” do mosquito.

Uma vez feita essa modificação, foram observados resultados onde a maioria dos insetos eliminou completamente o vírus. A minoria que ainda se mantinha infectada, registrou uma queda do nível viral nas glândulas salivares, algo expressivamente abaixo do normal. As glândulas salivares são o meio pelo qual eles (os mosquitos) transmitem as doenças.

Segundo George Dimopoulos, pesquisador e professor líder do projeto na faculdade, alterar a cadeia natural dos mosquitos substituindo os atuais pela sua versão modificada que é resistente ao vírus, pode reduzir as incidências de casos de dengue, e até mesmo cessa-las.

A equipe do pesquisador que está trabalhando para realizar testes em modificações genéticas do que seria equivalente ao intestino desses insetos, acredita que existe a possibilidade de produzir, de igual forma, anticorpos neste órgão, assim como no “fígado”. Isso tornaria o Aedes mais forte e imune à vírus, e seria um relevante e importante aposta para combater o crescente e alarmante número de infecções provenientes da dengue através do mosquito atualmente.