Ministério do Trabalho começará a liberar automaticamente o seguro-desemprego

Hoje em dia, quem é demitido pela empresa sem justa causa precisa passar por diversos trâmites para receber o benefício do seguro-desemprego, como comparecer a um dos postos do Sine para iniciar o pedido. Para o segundo semestre, o governo pretende facilitar a vida dos trabalhadores, com um novo sistema de pagamento do seguro, de modo automático. Os empregadores deverão informar o governo a respeito das demissões e admissões, diariamente, gerando mais agilidade. Isso porque atualmente o prazo é de até 37 dias. Essa mudança é necessária porque o funcionário demitido pode ser contratado por outra empresa nesse intervalo, o que resulta na suspensão do benefício.

 

O sistema está sendo desenvolvido com o auxílio da Caixa Econômica Federal, instituição responsável pelo pagamento do seguro-desemprego. Inicialmente, serão feitos testes em alguns estados brasileiros. O plano prevê o envio de carta ou SMS aos trabalhadores informando o valor da parcela a receber e data de saque, que pode ser feito em agências do banco.

 

O ministro do trabalho Ronaldo Nogueira afirmou para o site MSN Notícias que a medida é boa porque o trabalhador não terá a necessidade de ir até as agências e enfrentar filas para dar entrada no pedido do benefício. Um exemplo é o caso dos postos do Sine no Rio de Janeiro, que ficaram sem internet no mês de dezembro, o que causou impacto no atendimento aos desempregados do estado.

 

Outra vantagem da nova plataforma é a prevenção contra fraudes. O sistema consegue identificar pedidos suspeitos por meio de varreduras no banco de dados. Com apenas 15 dias em uso, o mecanismo foi capaz de identificar 41,5 mil possíveis fraudes, equivalentes a R$ 142 milhões. Após análise, a auditoria constatou que 2.350 pedidos eram fraudulentos e repassou os casos para a Polícia Federal. O ministro destaca que a medida de segurança serve para proteger o dinheiro dos trabalhadores.

 

A estimativa do Ministério é que cerca de R$ 1,3 bilhão ao ano seja economizado com o novo sistema do seguro-desemprego. As fraudes ocorrem por falta de tecnologia e controles internos frágeis. As quadrilhas usam empresas extintas e funcionários inexistentes para fraudar o sistema. Há casos de diversos trabalhadores com o mesmo endereço residencial e telefone. Dessa forma, a Polícia Federal investigava as ações apenas depois do pagamento, o que resultava em grande prejuízo, já que nem sempre era possível recuperar os valores. A nova tecnologia retém o benefício no sistema quando há suspeita de irregularidade.