Leitões que foram geneticamente modificados nasceram sem retrovírus

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As mais recentes manchetes anunciaram o nascimento dos leitões geneticamente modificados sem os retrovírus que poderiam impedir o transplante seguro de órgãos porcinos para seres humanos. O fato é que realizar o xenotransplante não é nenhuma novidade, o problema é que o “sucesso” dos pesquisadores para essa prática é questionável, tanto por razões técnicas quanto éticas.

Desenhos de híbridos humano-animal ou quimeras remontam aos tempos pré-históricos, como é o caso do homem com cabeça de pássaro na caverna francesa de Lascaux ou as antigas divindades egípcias com cabeças humanas em corpos de animais como a Grande Esfinge.

De acordo com a história do xenotransplante clínico do NIH, as primeiras tentativas de intercalar seres humanos e outras espécies realmente começaram no século XVI com xenotransfusões, o nome dado para as transfusões de sangue de animais para humanos. No século XIX, os médicos estavam tentando transplantes de pele interespécies usando criaturas lisas como os sapos ou criaturas peludas, como ovelhas, coelhos, cachorros, gatos, ratos, galinhas e pombos.

O primeiro transplante de córnea de porco a um humano foi realizado em 1838. Nenhum desses esforços iniciais teve grande repercussão para que fosse bem-sucedido, e essas experiências não consideravam o sofrimento dos animais envolvido.

Há uma falta crônica de órgãos humanos disponíveis para transplantes. No ano passado, 33.600 transplantes de órgãos nos EUA foram realizados, sendo que ainda restaram 116.800 pacientes na listas de espera. Aqui no Brasil a situação não é nada diferente, atualmente a lista de espera por transplantes de órgãos só tem aumentado. Daí o contínuo interesse pelo xenotransplante.

Alguns sugerem, no entanto, que com uma solução melhor, mais simples e mais ética que já está disponível, possa realmente refletir no desejo genuíno de responder a um problema grave de saúde pública de muitos países.

Um dos principais obstáculos no transplante de órgãos de porco são os retrovírus endógenos. Eles são retrovírus gama, restos genéticos de infecções virais antigas que estão presentes em todos os tecidos do genoma do porco. Existem vários tipos de retrovírus porcino, mas até o momento dois deles, pelo menos, podem transferir microrganismos que causam infecções em células humanas que foram combinadas, in vitro, com células de porco. Mas com os porcos geneticamente modificados sem os retrovírus, a expectativa é de que o transplante se torne cada vez mais possível.