Lei que proíbe que passageiros árabes levem aparelhos eletrônicos na bagagem de mão é comentada por especialistas

Uma das mais recentes medidas para o combate ao terrorismo do Reino Unido e dos Estados Unidos da América é a proibição de aparelhos eletrônicos como laptops ou tablets nas bagagens de mão em voos que se desloquem de alguns países do Oriente Médio ou de África. A proibição surge a partir de uma recomendação das agências de inteligência americanas que prevêem a possibilidade dos terroristas conseguirem incorporar algum tipo de bomba em dispositivos eletrônicos maiores que um smartphone. As mesmas agências acalmaram a população referindo que esta medida não foi adotada devido a alguma possibilidade de ameaça real.

No entanto, vários especialistas já comentaram esta proibição e referem a sua dúvida relativamente ao sucesso da mesma uma vez que esses mesmos aparelhos podem explodir na mesma caso sigam a bordo do avião numa bagagem, como explica o especialista Nicolas Weaver, “se você assume que um terrorista está interessado em transformar um computador em uma bomba, ela pode funcionar da mesma forma na bagagem despachada. E se você está preocupado com esse tipo de terrorismo, um celular também é um computador”

Os Estados Unidos da América pretendem aplicar esta lei a países islâmicos como o Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabens Unidos, Kuwait, Catar, Jordânia, Turquia e Marrocos. Já o Reino Unido aplica a lei a um menor número de países como a Turquia, Tunísia, Líbano, Arábia Saudita, Jordânia e Egito. Relativamente à limitação de países, Paul Scwartz refere que esta lei pode não ser tão eficaz como os norte-americanos pensam uma vez que, “Um potencial problema com essa determinação em que você escolhe alguns países é que você ignora a extensão da ameaça do terrorismo, pois ele não está limitado a um país. Os terroristas têm celulares ao redor do mundo”.

Por sua vez, David Gomez, um ex agente do FBI e que é especialista em questões relativas ao contraterrorismo, veio criticar abertamente esta medida pois os presumíveis autores deste tipos de atentados podem contornar esta lei de várias formas para atingir o fim que pretendem. Pelo que David Gomez explica, a pessoa que pretenda realizar um ato terrorista e que seja desses países pode viajar para outro país europeu onde possa existir uma célula terrorista, adquirir o aparelho dispositivo e voar desse país europeu para os Estados Unidos da América ou Reino Unido sem essa advertência.