Cinema nacional sendo reconhecido comercialmente e não artisticamente

O cenário de cinema nacional sempre teve oscilação financeira desde sua origem até os dias atuais, haja vista que maior ainda é a desvalorização do público em relação a produções nacionais desde a década de 50. Essa tentativa de industrialização passou pela Chanchada e pelo revolucionário Cinema Novo, que revelou grandes atores e principalmente diretores como Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos. Apesar de ser considerado por muitos os anos dourados do cinema nacional, jamais foram fáceis para produtores e diretores. Com o passar dos anos, no entanto, surgiu o cinema comercial, estrelado por atores de telenovelas e produzido pelas emissoras das mesmas.

Atualmente, vemos várias produções nacionais que conseguem arrecadar milhões de bilheteria, como Os Dez Mandamentos, que faturou 116,8 milhões. Com isso, o cinema nacional atual vem se tornando cada vez mais refém das grandes emissoras de televisão, que produzem seus filmes com atores da casa e possuem bom retorno lucrativo, fazendo um cinema comercial que é mais voltado para a comédia.

Ao ir ao cinema, os mais antenados percebem que só entram em cartaz filmes produzidos por grandes emissoras, buscando maiores fins lucrativos e ficando mais longe do aspecto artístico. Isso afeta diretamente o boca-a-boca das pessoas que dizem por esses ”blockbusters” que o cinema nacional não tem qualidade. Esse fato das empresas de cinema não darem espaço para produtoras menores vem sendo o fator primordial para o afastamento do grande público com as boas produções feitas em solo brasileiro.

Com o afastamento vem o desinteresse, pois grande parte da população não sente interesse em conhecer produções nacionais além das que saem nas distribuidoras de cinema. Isso acarreta em mais dificuldades para uma produção de maior qualidade das produtoras menos conhecidas, por falta de patrocínio e até mesmo incentivo popular.

No ano de 2016 mais de cem filmes foram assistidos por menos de 100 mil pessoas cada. Em contrapartida e há de se ressaltar, para além dos números brutos, o fato de que vários longas foram lançados em poucas salas – e mesmo assim conquistaram público respeitável, casos sobretudo de Nise: O Coração da Loucura, exibido em 87 cinemas e Aquarius, única produção da pequena distribuidora Vitrine Filmes na lista dos 20 longas nacionais mais vistos de 2016, o que ainda é muito pouco mas mostra que o nosso cinema tem sim muita qualidade.